terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lutem até o Fim


Já devia ter escrito sobre isso. Pensei, pensei, queria contar sobre isso. 26 anos. Vidas foram levadas, vidas chegaram. Vidas foram transformadas naquele 05 de dezembro de 2010. Alguns dizem que time não se escolhe, outros discordam. Torcer para o Fluminense é mais do que isso. É sentir. Sentimento que pude verdadeiramente cultivar desde que voltei ao Rio em 2006. Desde minha primeira ida ao Maracanã num sofrível 0x0. A devoção começou ali. Desde então posso dizer, o que sinto pelo Fluminense é algo único. Ser tricolor é sentir o amargo da derrota, mas mesmo assim beijar o seu escudo e saber que o Fluminense é enorme, muito maior do que qualquer frustração. É ter a certeza de que existe algo reservado, algo bom. Quem espera sempre alcança. Prefiro começar falando sobre a Libertadores em 2008. Depois de jogos épicos, perdemos o título. Chorei de alegria, de joelhos no jogo contra o São Paulo, chorei de tristeza na final. Mal sabia, que estava sendo forjado ali um time e torcida de guerreiros. Quando digo guerreiros, não digo como metáfora, é o mais puro sentido literal da palavra. Veio 2009, um ano que parecia fadado ao desastre. Fluminense x Atlético-MG, quinta-feira de chuva, cerca de 4 mil pessoas no Maracanã. Confesso, não estava lá. Eram 98% de chances de ser manchada a história gloriosa do Fluminense ao disputar a Série B novamente. “Lutem até o fim”. Dizia a faixa. Lutaram, e como lutaram. Nos jogos seguintes, no Maracanã, sempre lotado, era impossível vencer o Fluminense. Digo, impossível. Podia ser contra quem for, que nós não perdíamos. Jogávamos a Sul-Americana também. Perdemos. Perdemos feio, mais uma vez em Quito para a mesma LDU do ano anterior. No jogo de volta, acho que de todos os gestos dessa torcida, o que mais me emocionou foi o corredor escoltando o time até o Maracanã. Dentro do estádio, o mosaico dizia “Eles tem a altitude, vocês tem a gente.” E tiveram. Juntos fizemos o impossível. A matemática não se aplica à paixão. Naquele dezembro de 2009 escapamos, permanecemos na elite. Nesse ano, mais um carioca medíocre. Eliminados na Copa do Brasil com o recém contratado Muricy Ramalho. Mais duas derrotas no início do Brasileiro. Veio o Fla-Flu. Foi meu primeiro jogo no Brasileiro. Dominamos. Vencemos. Vencer. Verbo que virou hábito. Até que finalmente alcançamos a liderança num jogo contra o grande time do Cruzeiro. No dia seguinte, vi o sonho ruir por algumas horas ao anunciarem Muricy Ramalho como técnico da Seleção. Guerreiros, assim como em Roma, tinham como principais valores: Força e Honra. Muricy ficou. Perdemos o Maracanã. Tive que me acostumar com o Engenhão. Demorei a ver a primeira vitória no estádio. Mas me marcou também uma derrota. Quando me vi cantando e aplaudindo o time após perder por 3x0 para o Santos. Gritávamos “seremos campeões”, algo que evitava geralmente, mas depois dali profetizávamos. Assim como disse o Nelson, “O Fluminense começou a ser campeão muito antes. Sim...Quando saiu do caos para a liderança. Do caos para a liderança, repito.” Dali em diante, vi a construção de um sonho. Time e torcida eram cúmplices. Foi dramático. Nos últimos jogos, ao final dos jogos meus olhos já se encontravam marejados. Reação que era a mesma para alguns dos vários desconhecidos com quem acompanhei os jogos nos estádios. Chegou o dia, 1x0. Olho para o lado, o mesmo olhar em êxtase e não acreditando no que aconteceu, era o meu. Era real. Campeão. Fiquei atônito. Dessa história nunca vou me esquecer. Essa história é eterna. Assim como a verdadeira paixão, o verdadeiro amor. Essa torcida sabe bem o que é isso. Ser tricolor é isso. E esse sentimento domina qualquer ser que veste verde, branco e grená. Terminando com a profecia realizada pelo Nelson: “Foi a nossa viagem maravilhosa. Lembro-me do primeiro domingo em que ficamos sozinhos na ponta. As esquinas e os botecos faziam a piada cruel: “líder por uma semana….”
Daí pra frente, o Fluminense era sempre o líder por uma semana…”
E os guerreiros lutaram, lutaram até o fim.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Prosa e verso...

Linhas contínuas, palavras soltas. Métrica, pontuação. Vivemos entre a prosa e o verso. Essa é mais uma das dualidades existentes em nossa experiência errante. Há quem prefira a prosa. A objetividade, disciplina, pontuação. Existem aqueles que preferem rimar, experimentar a liberdade dos versos (apesar de existir aqueles que escravizam os versos através de regras). Preferências a parte, ambos são elementares. Na obra do Destino, existem momentos em que versamos e aqueles em que proseamos. Sucessão de prosas e versos. Luz e sombras. Sons e silêncios. Através da prosa podemos entender o “para que” das coisas. Mas são os versos que explicam o porquê. Hoje em dia, a maioria das pessoas se preocupam em saber para que as coisas servem. Desejam sem saber por que. Buscam uma explicação para o que não existe. Concordo que tudo tem um porquê. Mas nem tudo tem um “para que”. Pode parecer confuso, e até realmente ser. Pode parecer prosa em verso, como poderia ser prosa em verso. Isso tudo não importa. O que importa é enxergar a arte em sua frente. O poeta não escolhe papel ou teclado, lápis ou caneta, parágrafo ou estrofe. Para que escolher? Afinal, quem escolhe precisa de um porquê. Assim como o verso precisa do reverso...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Gotas do céu...

A água caiu do céu cai como as flores que outrora não haviam desabrochado. O vento sussurrava o que havia por vir. Fim de verão. Tempestade à vista. Eu caminhava pela rua. Caminhava com a displicência de uma criança. Não havia percebido a chuva que iria se formar. De repente, milhares de gotas começam a cair do céu. O barulho produzido por elas enquanto caíam naqueles telhados de amianto anunciavam a força das águas. Refugiei-me debaixo de uma marquise. Não havia percebido que o tempo passa rápido. Tenho a impressão de que tudo que é bom passa rápido. A chuva passa. O sol volta a brilhar. Mas tenho a impressão de que ele já brilhara muitas vezes desde aquela chuva. Um garoto caminha pela rua. Olho ao redor, os muros das casas parecem pequenos. O tempo passa e o mundo vai encolhendo. Não preciso de previsão do tempo. Quando olho para o céu, percebo quando ela virá. E espero. Espero as gotas escorrerem pela minha face e lavarem minha alma. Assim um dia, como a chuva que um dia caiu do céu espero retornar para onde chuva conviva com o sol e a escuridão com a luz. Onde não existam muros nem o tempo...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Tenho que andar...


Na corrida que é a vida, sempre me orgulhei de ter corrido, sem parar. Corro atrás dos meus objetivos, do que eu quero. Alguns amigos meus dizem que tenho vocação para andarilho. Acho que herdei essa necessidade de você. Você dizia várias vezes “tenho que andar”, mesmo sem ter algo necessariamente importante para resolver. Pois bem, no dia 01 de dezembro de 2008, eu parei. Não conseguia mais correr. Nunca havia passado por isso. De uma vez só, me encontrava só. Começava a compreender o que era dor. Acreditava que sofrer por alguém só poderia causar dor no sentido metafórico, mas não. Assim como toda metáfora, essa tinha um correspondente em sua literalidade. Havia uma dor no meu peito, uma vontade de gritar, mas gritar o quê? O nó em minha garganta não permitiria a pronúncia de qualquer palavra. O dia era de sol no Rio de Janeiro. Dia maravilhoso assim como a cidade que aprendi a amar contigo. Lembro-me que andei bastante com você. Durante um período em minha vida, saía com você pelas tardes para aprender. Aprendi um pouco sobre política quando se envolveu com ela. Conheci pessoas e caminhos que antes não havia percorrido. Até hoje, faço questão de saber o nome das ruas que percorro. Quando mais novo, pedia sempre para ficar em seu cangote. Desse modo, apesar da pequena estatura, podia enxergar o mundo de cima. Fora através de seus olhos que aprendi a enxergá-lo. Aprendi muito com você. Nunca chegou a lecionar para mim em sala de aula, mas seus amigos me diziam de sua facilidade com os números e fórmulas da Física. Acho que aprendi mais com você durante as aulas de vida que me proporcionava quando compartilhava algum momento com você. Ultimamente, estávamos próximos apesar de minhas constantes viagens. Você estava doente. Lembro-me das várias vezes em que chegava em casa e você, deitado, olhava para ver se tinha chegado bem. Sabe que eu te amo, né? Palavras que poderiam para o leitor cético serem vazias de significado, na verdade, possuíram significado tamanho e verdadeiro que o silêncio poderia representar melhor o que sentia e ainda sinto. Acho que é por isso que pedem um minuto de silêncio. Silêncio que se ausentou numa noite em que você, no hospital, lutando contra a sua mente, ouviu de mim que o amava e você respondeu reciprocamente em lágrimas. Agora, você é só saudade. Não conheci homem bom como você. Todos falavam e ainda falam de seu sorriso. Não reclamava. Levava a vida com alegria. E a vida o levou. Sentirei saudades eternamente. Tenho que andar...

sábado, 18 de outubro de 2008

RJ 174.067

Aqui estou. Vou ser um pouco narcisista e falar de mim. Ultimamente, meus dias têm sido corridos. Agora, estou viajando a cerca de 90 km/h, ouvindo Arctic Monkeys e escrevendo o que você está lendo. Acredito que escrevi e refleti tanto sobre viagem que isto se tornou minha sina. Passo de segunda a sexta cerca de 4 horas diárias dentro do ônibus (em breve irei registrar parte de meu dia). Tenho pouco tempo disponível, apesar Ed não me faltar tempo para refletir sobre a vida. Confesso que, às vezes sinto falta da disponibilidade de contato humano. Agora estou voltando para Volta Redonda e volto pensando no meu dia. Se uma vez eu disse que o melhor de se viajar é a impossibilidade da indiferença, sempre se volta diferente. Eu já tanto fui e voltei que mudei. Não sei como. Mas mudei. São tantas viagens que me perdi no meio da estrada. Sei o destino, sei por que estou indo, mas não sei quem está viajando. Valeu pela volta. Na minha frente um dizer: “Parada Somente no Ponto”. Acho que o ponto é esse. A gente se encontra em outra viagem.

(escrito em setembro)

sábado, 6 de setembro de 2008

Ainda em tempo...





Agradeço ao apreço do blog Revoluteando e adejando! , por ter selado o Reticências... com o selo acima...

Respeitando a tradição de passar o selo para alguém que o mereça... Ele vai para: Ideal Inefável

Abraços a todos...

Falta de tempo, mudanças e reticências...

Almocei a bastante tempo... A Dercy já morreu faz tempo... Faz mais de um ano que, juntamente com minha irmã, comecei a escrever sobre as reticências da vida... Mas ultimamente ando sem tempo... Percorro muitas distâncias, viajo boa parte do meu dia... Cansado não estou, ainda estou correndo... Mas posso adiantar que o blog passará por reformulações em breve... Resultado da minha nova rotina e de... A gente envelhece e cada vez mais ficamos sem tempo... Enfim, tenho muita estrada para percorrer e o blog também... Oportunidades surgem... Temos que nos adaptar... É o que esse espaço buscará em seu novo formato... Afinal, tudo muda... Mas sempre vai existir algo a ser dito... Ainda termino minhas frases com "..."... Sobre mudanças... Já era tempo... A vida continua... Afinal, não é ponto final... É reticências...

domingo, 20 de julho de 2008

Depois do almoço...

Depois do almoço, num dia de verão, lá em Minas, perguntei para minha irmã: Já parou pra pensar que todo o restante da nossa vida será após esse almoço? Após a refeição do meio-dia fico sonolento e geralmente satisfeito. Mas depois daquele almoço não foi o que ocorreu. Nem sempre paramos pra pensar sob essa perspectiva. Existe todo o resto da nossa vida pela frente. Esqueça o café da manhã, pense no que virá depois do almoço. Ontem, meu celular tocou. Ele estava me avisando de algum compromisso na agenda. Quando fui olhar, estava escrito: "O que aconteceu?". Já falei que escolho uma data aleatória para fazer um balanço sobre em que medida sou senhor do meu destino e, em contrapartida, em que medida sou refém dele. Sempre faço planos. Posso dizer que hoje, muita coisa do que aconteceu de lá pra cá eu não fazia idéia. Mas posso dizer também, que as surpresas agradáveis são fruto das minhas decisões. Não imaginei que estivesse viajando para BH hoje, que teria vivido uma grande história com o Fluminense na Libertadores e nem que Dercy Gonçalves morreria ontem. Mas sinto que em algum momento eu acreditei que estaria onde estou. É isso que me mantém correndo. Está na hora de jantar...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Casas e confissões...


Não sou sem-teto, mas não tenho casa. Me refiro à casa como sendo aquele lugar onde você se sente à vontade, seguro. Sempre fui um cigano urbano. Sempre estou mudando de lugar. Ficar em "casa" me deixa muitas vezes à beira de um ataque. Não costumo criar raízes nem vínculos com algum lugar. Entretanto, quando isso ocorre, acontece com bastante intensidade. Tenho a sensação de sempre estar caminhando ao desconhecido. Mas semre caminhando. Na estrada da minha vida, no máximo, encontro hotéis,pousadas, motéis e etcs. Quase sempre sou hóspede, poucas vezes anfitrião. Nunca encontrei uma casa. Não consigo responder com razoável grau de certeza onde estarei nos próximos anos. Acredito que essa propensão ao nomadismo me tornou uma pessoa forte, uma vez que tive que procurar segurança e estabilidade em mim mesmo. Em contrapartida, por essa razão, posso ter me tornado exigente em criar vínculos. Acho que me preocupei tanto em me proteger psicologicamente que dispenso meios físicos de proteção. Em 20 anos, foram algumas "casas", nenhum lar. A idéia de que estar no lugar onde se queira estar possa siginificar felicidade me atrai. Acredito que por isso estou sempre me movendo, como nômade. Enfim, acho que quero deixar de ser hóspede e me tornar um anfitrião. Talvez um dia eu encontre uma casa. Vou ler os classifcados...

terça-feira, 3 de junho de 2008

O Sentido do Caos...

A banca sempre vence, diz o ditado. Não moro em Las Vegas, mas os cassinos me lembram sobre a aleatoriedade e como a vida é imprevisível. É incrível a tendência do ser humano em simplicficar a vida. Basta observar a ciência para notar essa necessidade reducionista. A maior parte do que aprendemos na escola, só é válido para sistemas simples, fechados, onde as variáveis são fixas e existem em pequeno número. Acredito que a vida é mais complexa e caótica. Às vezes, fico imaginando as cerca de 6 bilhões de pessoas que vivem no globo como pequenos pontos. "Olhando de cima" aqueles pontinhos se movendo dá para notar como eles se movem. Alguns mais, outros menos. Alguns vivem se cruzando. Já outros pontos, nunca se cruzaram e nem se cruzarão, porém se influenciam de maneira surpreendente. Eu nunca cruzei com Jesus Cristo, Osama bin Laden ou o Bono Vox, mas eles me influenciaram ou influenciam de certa forma a maneira como a minha vida se encontra. Você consegue imaginar a propabilidade da gente se encontrar em algum instante de nossas vidas? Considerando que cada um de nós somos apenas um pontinho no meio de 6 bilhões e que cada um viva alguns bilhões de segundos, eu não apostaria nisso. Porém, você está lendo esse texto, de alguma forma a banca perdeu dessa vez. A Teoria do Caos considera e estuda esses sistemas complexos e caóticos. Mais do que a crença difundida do efeito borboleta, a teoria diz como as interações entre as variáveis produzem resultados aleatórios e imprevisíveis. Os resultados matemáticos contidos nessa teoria formam, graficamente, um fractal com formato de borboleta. Não acho a vida simples não. Ela é um emaranhado complexo de interações cujo os impactos de nossas decisões ecoam pelo tempo. Se minha vida fosse um cassino, com certeza, a banca iria perder. Me pergunto o porquê de estarmos vivos, vivendo dessa maneira e o motivo das outras infinitas possibilidades não terem se concretizado. Por que não sou o que poderia ter sido? A reposta talvez seja pela mesma razão que uma lagarta se tranforma em borboleta...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Diálogos...


Mais uma vez saí de casa sem destino. Não consigo ficar parado. Olhando pela janela, o mundo me convidava para um passeio. Andando pelas calçadas, pelas pessoas, notei como a maioria delas sabiam para onde estavam indo e como poucas sabiam porque estavam indo. Sabia porque , mas não sabia para onde. Estava na lagoa e desci a Vinícius em direção à praia. Talvez no Arpoador eu descobrisse para onde estava indo. Caminhando pela Vieira Souto, olhava o mar. Sentei nas pedras, esperando por uma resposta. O mar bate nas rochas, uma mão bate em meu ombro:

- Posso sentar?

- Pode. Vivemos num país livre.

No mesmo dia, após algumas trocas de olhares você me pergunta:

- Como uma pessoa se torna especial em nossas vidas?

- Eu realmente não sei.

- Quando me tornar especial pra você, você encontrará a resposta.

Hoje, olhando em seus olhos, vejo o meu mundo. Você faz parte do meu mundo.
Num outro dia, eu conversando contigo sobre o tempo:

- O tempo não existe! Veja bem: O passado são memórias; o futuro não aconteceu; e a única coisa que se sabe sobre o presente é que ele não é nem passado nem futuro.

Você sorri e me diz:

- Assim você me convence que a vida é um sonho.

Te vendo aqui do meu lado, tenho certeza disso. Hoje, eu sei que naquela tarde você se tornou especial para mim. Naquele momento, também descobri para aonde vou: Eu vou aonde você for...

domingo, 4 de maio de 2008

Faça um pedido...



Alguns se queixam de que não pediram para nascer. Eu fiz um pedido. Queria entender o meu mundo e o mundo das pessoas. Passei a entender que a vida é feita de escolhas. Tudo bem, nem sempre escolhemos quais são as alternativas, mas escolhemos dentre as alternativas. Frequentemente o ser humano acredita que pode "não escolher" (como se isso não correpondesse a uma alternativa), na tentativa de se eximir das responsabilidades de suas decisões. Não adianta, ao percorrer nossa trilha somos obrigados a tomar decisões. Nossas escolhas criam o mundo ao nosso redor. Chega um momento em que mundos/galáxias se colidem (foto). Após essa colisão, estrelas são geradas. Um novo mundo é criado. Você pode aceitar essas colisões ou encará-las como acidentes. Prefiro a primeira opção. Você pode ficar esperando a colisão ou se preparar para ela. Tenho o costume de marcar uma data aleatória na minha agenda. Nesse dia, olhando as folhas passadas, procuro saber se o que aconteceu até aquela data foi mais consequência das minhas ações ou das ações dos outros. Livre-arbítrio ou destino? Prefiro acreditar que escolho meu destino. Decisões, escolhas. Você constrói sua vida ou os outros a constroem para você? Pode parecer simples, e de fato é! Faça um pedido e coloque no seu coração. O que você quiser... Tudo o que você quiser. Você tem? Que bom. Agora acredite que pode se tornar realidade. Nunca se sabe onde o próximo milagre vai sair, o próximo sorriso, o próximo desejo tornado realidade. Mas se você acreditar que está bem ali na esquina, perto de você... Você acaba conseguindo aquilo que você deseja. O mundo é cheio de mágica. Você apenas precisa acreditar nela. Então, faça o seu pedido. Você tem? Que bom. Agora acredite, você está construindo o seu mundo...

P.S.: A partir de hoje escreverei quinzenalmente no blog, com exceção para fatos notórios ou que me inspirem incrivelmente.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Pijama, eu escolho vocêêêê!


Chega uma hora na vida da gente que temos de escolher entre uma coisa ou outra. Hoje, escolhi o azul desbotado com babado branco nas bordas. Existem duas formas bem eficazes e práticas de se conhecer uma pessoa: como ela dorme e com o quê ela dorme. Salvo aqueles casos em que o pijama passa a criar vida própria se tornando uma extensão material de seu corpo, daí a necessidade de uma cama é tal que não o tira. Na minha terra, isto recebe o nome de tédio enfadonho introspectivo velocidade cinco.
O movimento de girar a chave, torcer a maçaneta e abrir a porta é, senão, o simbolismo mais formoso daquilo que chamamos de vida. Pergunta: passar em média ¹/3 da vida dormindo é uma atitude inteligente? Ah, eu voto em que comecemos a hibernar lá pelos 60 anos de idade... Gosto da rua em seu sentido usual de "lá fora", do ninguém coletivo que no fim das contas é o mais belo atrativo, de deitar junto á colchas e cobertas e me falar daquilo que vi. Pesquisas recentes mostram que adultos que brincaram na rua quando crianças tem 83% de chances a mais de serem bem sucedidos do que aqueles que brincavam dentro de casa. Do ponto de vista biológico, as espécies tem a necessidade de interação com o meio.
Se tivesse de escolher algo dentre as minhas últimas horas de vida, escolheria um vale-transporte. Viajaria por horas no circular, imaginando lutinhas Power Rangers contra prédios comerciais, usaria um poste como espada e daria uma laçada com fio de alta-tensão no carinha do mal – claro, isso tudo só aconteceria se, no busão lotado, nenhum cara ‘cheiroso’ assentasse em frente a mim e abrisse a janela, transferindo assim todo o seu ‘perfume’ para meu nariz.
O tédio é diretamente proporcional à quantidade de tempo. Casa é tediosa, rotina é desgastante e o verbo acostumar na primeira pessoa do passado me amedronta. Mas não me preocupo, acomodação é característica geral da minha espécie. Passarei então, horas na frente de um objeto qualquer inanimado assistindo ao delicioso enfado de uma tarde de sexta-feira. Escreverei, pois, sobre devaneios de um tédio introspectivo velocidade seis. Mas dessa vez, escolherei o preto desbotado com desenho de ursinho no meio...

domingo, 30 de março de 2008

22min e 30s...


Em meio à multidão, descia as escadas da estação de metrô da Estácio. Sempre gostara de estações de metrô. Achava aquela reunião de desconhecidos rumo a um destino um momento único. Descendo os degraus , dois jovens lhe chamaram a atenção. O vagão ainda estava lá e pairou a dúvida sobre a possibilidade de pegá-lo ainda aberto. Os jovens, um casal, tentaram sem sucesso embarcar naquele trem. Naquele instante em que as portas se fecharam, seus lábios sorriram um para o outro. Estabeleceu-se uma cumplicidade naquele momento. Continuou a observar o casal. Ao entrarem no vagão, sentaram um atrás do outro. Pôde notar o interesse de um pelo outro. Haviam olhares intensos entre os dois. Os ohos do rapaz direcionavam-se constantemente em direção àquela garota de olhos azuis que, encostada na janela, possuia um olhar também distante, parecendo procurar uma luz naquele túnel. Pensou em como as pessoas surgem e desaparecem em nossas vidas. Em meio ao caos da metrópole, anônimos sorriem. Pensara que muitas vezes as pessoas não precisam ser conhecidas ou permanecerem muito tempo conosco para marcarem nossas vidas. Nesses casos, mais importante do que o tempo de um momento é a intensidade com que são vividos. Estação Siqueira Campos. Os três se preparam para seguir diferentes rumos. 22 min e 30s é o tempo que dura a viagem entre as estações. Tempo esse em que teve a certeza de que aquela intensa troca de olhares seriam lembradas pelos dois. As portas se abrem. Provavelmente não se encontrarão mais, porém aquele curto episódio ficará marcado na longa viagem da vida. Olhou para o chão, estava escrito: Atenção com o espaço entre o trem e a plataforma...

domingo, 9 de março de 2008

Deixa o verão...


A mais cantada e adorada estação do ano está para se acabar. Dia 20 finda-se o verão e com ele todo o resquício de férias, carnaval e vagabundagens cometidas na estação ensolarada. Propagandas engraçadinhas da Skol à parte, ouso dizer que esse verão foi um fiasco. Não digo da vida pessoal do leitor, nem da minha, falo sim da conjuntura " verônica". Basta dizer que não houve nenhum grande hit musical, nenhuma grande moda, não deu praia quase nenhum dia e fez um frio "infernal" grande parte da estação. Se nada extraordinário ocorrer até o dia 20, o verão de 2008 (ou será de 2007?) será lembrado pela dengue, pela renúncia de Fidel, pelas eleições americanas e pela aprovação de um garoto de 8 anos no vestibular!!! Vamos combinar que as prévias americanas não combinam em nada com verão, sol, praia... Temo pelo provável fiasco veraneio. Aquecimento global ou implicância pessoal, fato é que se o verão for um fiasco, me preocupa o que será do inverno ou da primavera??! Daqui a pouco, as flores não irão mais nascer, não vai dar praia e não haverá mais romances de verão, musiquinhas de verão e etcs... Portanto, temos que salvar o verão! Ainda temos tempo! Vamos trasformar esse restane de estação e juntamente com as águas de março, fechar o verão com chave de ouro. Quiçá ainda é cedo para meu desespero e tem razão aquele que cantou sobre o verão. Afinal, temos sol o ano todo, deixa o verão pra mais tarde...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Geração Coca-Cola Zero


"Turururu, turururu, tutututu-rúúúú. Turururu, turururu, tutututu-rúúúú. Alô!? É pra você..." Samba-canções de plantão, não há mulher no mundo que resista a essa cantada a la comercial coca-colano. Quero dizer, exceção para aquelas que prefiram refrigerante de guaraná à Coca, por acreditar ser ser este o temível vilão causador de leituras corporais em braile -vulgo celulite- e, aquele, ser inofencível pelo motivo de ser uma fruta bonitinha encontrada no sexto dos infernos das selvas equatoriais brasileiras. Bem, "ingnorâncias" a parte, o tal do líquido preto de cafeína, extrato de noz de cola, corante caramelo IV, acidulante INS 338 e etcéteras desconhecidas, porém saborosas, merece um espaço exclusivo nesse antro de ideologias nonseses, sofísmas e irrelevantismos de um nexo desconvexo, uma vez que não caberia nos meus dedos dos pés e das mãos a quantidade de vezes nas quais ela esteve presente. Seja na escola ou no bar, na rua ou na casa, no ócio ou na agitação, não importa! Lá estava ela, exibindo sua cor negra e escorrendo água a fora do copo, colocando em evidência sua temperatura ideal.
Aposto uma Coca com você que são vendidas, por dia, 40.000 latinhas por segundo nos EUA da marca mais conhecida e vendida do mundo. Tá certo, eu ganhei a aposta. Mas não tem problema, vamos até ali na sala vip da Cidade do Aço na rodoviária de Volta Redonda que você compra uma latinha por R$1,00! (Ps.: e é da boa, é de máquina de refrigerante!) Máquinas de refrigerantes... essas sim são um perigo! Em média, 17 pessoas morrem ao ano por culpa delas. O motivo? Soterramento, esmagamento, amassamento, diminuição estrutural significativa, mortadela humana. Sem falar da Califórnia, onde já quiseram vender maconha medicinal nas mesmas máquinas. Pensa bem, além de esfarelado, o cara ia ter overdose! Loucura, loucura, loucura.
"Tsssss... Aaaaah!". Onomatopéia óbvia, Joãozinho (o mesmo das piadas) abriu uma latinha, deu um gole prolongado a medida de sua taradeza de sede soltou aquele "Aaaaah!" de satisfação -por motivos de forças gramaticais maiores, eu não soube descrever gases soltos pelo nariz.
A idéia ilusória de "Tomo Coca Zero, logo sou saudável e natural" poderia ser levada a contextos sociais mais aprofundados e, convenhamos, realmente que mereça espaço na mídia, seja ela formal ou não. Há não muito tempo atrás, um carinha-poeta-cantor idealizou, ou melhor, 'tentou' incentivo àqueles que se viam escravos de algo. O tempo passou e uns bons milhões sofreram calados. O motivo? Ops! motivos, no plural, não faltavam. Hoje, já somos os netos e não os filhos da revolução, proletariado sem religião e sem deus que queria nos salvar, sem nação nem noção. Geração Coca-Cola Zero! Palavras de alguém que um dia já quis mudar o mundo, mas hoje preferiu tomar um suco de laranja com gelo e açúcar...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Retrato de um passado...

Acordou mais uma vez sem saber o que estava por vir, assim como o sol não sabe o que vai iluminar. Era primavera, a temperatura matinal era agradável. Tinha sido acordado pelo aparelho de som que fora programado para ligar às 6:17. Durante a noite, ele sonhava. Mas após acordar, não se lembrava de nenhum sonho, assim como não se lembrava de quantas vezes já tomara aquele achocolatado antes de ir para o colégio. Tinha 16 anos. Mal sabia como um dia sentiria falta daqueles tempos. Tempos em que se preocupava somente em se sair bem na escola e se sair bem com as garotas. Garotas essas que sempre lhe tomavam alguns minutos em meio às suas reflexões diárias. Ia caminhando para o colégio todos os dias. Sob a brisa da manhã, observava as pessoas nas ruas, em direção à escolas, lojas, destinos. Tinha curiosidade em saber se aquelas pessoas ao final do dia teriam suas vidas mudadas. Seriam elas as mesmas pessoas quando forem encostar suas cabeças no travesseiro? Durante as aulas, amizades eram consolidadas, relacionamentos eram iniciados, fatos ocorriam. Fato, que na noite anterior havia beijado os lábios de uma garota. Toca o sinal, fim de aula. Começou a fazer o caminho de volta para casa. Na cozinha seu prato de almoço o esperava. Naquele mesmo dia voltou ao colégio durante a tarde. Voltou a encontrar a garota na qual havia provado o néctar antes do sol nascer. Possuia lindos cabelos negros e lisos. Sua energia irradiava pelos seus olhos. Naquele dia passearam durante o cair da tarde. Sentados num banco de praça, percebeu a responsabilidade que existe quando alguém se enamora por outro. Queria ter o olhar apaixonado que o olhava, mas não o tinha. Outras vezes teria aquele mesmo olhar apaixonado, mas quem o olhava não o possuiria. A noite chegou, trazendo consigo o sono. É como Alguém diz, Morfeu é bastante persuasivo. Seus olhos se fecham, mas se abrem para enxergar os sonhos condenados ao esquecimento.
Acordou mais uma vez sem saber o que estava por vir. Olhou seu rosto no espelho, não sabia se era mais o mesmo. Não sabia também porque acordou com a lembrança daquele dia de primavera aos 16 anos. Começou a escrever sobre aquela memória. Colocando palavras no papel, descobriu o porquê da recordação de tempos longínquos:tinha se lembrado de um sonho já esquecido...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

621,4 milhas


Na minha terra tem caieiras onde nascem Jatobás. As coisas que aqui sucedem, não acontecem como lá. 621 milhas de asfalto se fizeram concreto, uma curva feita no anel rodoviário sul e eis que surge o lugar. Odiado por muitos, lembrado com desprezo por alguns, querido por poucos, encantador por mim. Tem gente que, de súbito, acorda com vontade de ir ao banheiro, vontade de comer, vontade de beber. Mas hoje não, hoje eu acordei com vontade de escrever.
Histórias de um fascinante verão. Fatos seriam censurados, se publicados. Como numa quarta-feira, duas cangaceiras revolucionárias partiram em uma aventura com outros loucos. O cachorro latia, os espíritos chegaram. Óh não! O sol é um ovni! --(trecho censurado por motivos de força maior)-- Uma dessas foi tentar a vida na cidade grande. E a outra, há quem diga que virou nômade por vontade, alguns tribuem á ela o adjetivo "hippie". Estórias que o povo conta...
Havia algo de estranho no ar. Era uma magia antes camuflada naquele céu sempre exibido por formas singulares e inéditas, sem reprises. Os risos floresciam como a chuva de panfletos das franjas do mar de Ipanema num vespertino sábado veraneio.
Cabelos negros mesmo que iluminados pelos raios do sol voavam contra o vento projetado pela cavalgada rumo ao Reino das Nuvens. Por que raios usar capacete em Montes Claros se os muitos buracos vem de baixo? A missão de levar o bolo escaldante em vermelho de contentamento foi um sucesso. A Esquilo Real teve suas bodas de rosas comemoradas a altura de sua importância para a Trupe das Cabritas. O eixo de encontro não-residencial era o mesmo lugar onde se abastecem as carruagens, que poucos passos dali sempre havia um banquete onde não só bola rola, mas também podia ser completo, com bacon ou na grelha.
Aqui tem escada rolante, tem meio-passe, tem chuva de verão, tem mar. A gente entra pela saída do ônibus... Lá tem é elevador, tem vale-transporte, tem verão, tem rio. A gente entra pela entrada e sai pela saída. Mas quando desce, 622 milhas: Bem-vindo a cidade grande...

domingo, 13 de janeiro de 2008

Correndo...


Às vezes, corro contra o tempo. Às vezes, simplesmente corro. Hoje eu corri. E fiquei pensando em como a vida é uma corrida. Gosto muito de correr, houve uma época em que eu cheguei a correr quase como o Forrest Gump corria. Após nascermos, começamos a engatinhar. Nosso desejo por andar faz com que tomamos nossas primeiras quedas. Passa-se algum tempo, e enfim, estamos andando. A partir desse momento podemos ir até onde queremos. Acho que se trata do primeiro passo para a caminhada rumo à independência. Desse momento geralmente nos lembramos, ou nossos pais fazem isso por nós. Mas, uma coisa de que pouca gente lembra é de quando começamos a correr. Sempre corri. Muitas vezes sem saber para onde, muitas vezes fugindo de algo. Lembro de quando comecei a tornar a corrida um hábito. Estava na avenida Corrêa Machado e simplesmente me surgiu a vontade de correr. Corri o quanto pude, até sentir meu corpo exausto e no limite. Desde lá sempre vivo correndo. Chega um momento na vida em que não nos contentamos somente em andar e contemplar a paisagem. Queremos correr e ir ao encontro de nossos sonhos o mais rápido possível, com nossas próprias pernas. Como disse, muitas vezes nem sabemos para onde vamos e nem escolhemos o melhor caminho para chegar ao Destino. Quando corremos, percorremos um caminho de forma rápida e que muitas vezes por isso não observamos o que não acontece ao nosso redor. Nessa corrida deixamos pessoas para trás, mas encontramos outras mais em frente. Durante parte do trajeto, podemos nos sentir cansados, mas de repente nos lembramos para onde estamos indo (ou de onde viemos) e assim conseguimos nova energia para continuarmos nessa jornada. Existem aqueles que olham para trás e se orgulham da distância já percorrida. Outros, não enxergam para onde estão indo e por esse ou outro motivo, dão meia volta e começam a correr para onde vieram. Alguns se cansam e voltam a andar. Sei que ainda não cansei. E que continuo correndo. Não sei ao certo o que encontrarei no meu destino e nem quando irei cansar e parar de correr. Só sei que o tempo está correndo, e ele nunca se cansa. Como diz um provérbio africano: "Todo dia na savana, o antílope acorda e sabe que terá que ser mais veloz do que o mais lento dos leões para sobreviver. Todo dia na savana, o leão acorda e sabe que terá que ser mais rápido que o mais lento dos antílopes para não morrer de fome. Ou seja, não importa se você é um antílope ou um leão, é melhor começar a correr"...

sábado, 5 de janeiro de 2008

A Revolta dos Chesters - Parte II


"(...) E todos nossos sonhos serão sonhos, o futuro já passou". Estas foram as últimas palavras do líder do sindicato AVL, instantes antecedentes de ser requentado um dia depois do reveillon. Sua carne pálida cheia de rancor fora artificialmente dourada para o almoço. O pior já tinha passado. Na noite da virada, todos reclamavam como aquele chester estava anêmico. Ele vinha fazendo greve de fome em frente a prefeitura, se negando a comer quaisquer grão de milho que fosse até que o Governo os livrassem do mais triste destino aviário. Os engravatados do poder não torceram seus braços. A queda de preço foi inevitável e não sobrou nenhum chester pra contar a história de uma bem sucedida revolta dos voadores. Na mesa do almoço, o tio cachaceiro estava de ressaca, assim como a adolescente rebelde. O cachorro mal conseguia encontrar seu pote da ração, de tão embreagado que estava. Malditas crianças catarrentas que fizeram isso com o pobre Bob, Snoop, Bettoven, Paquita, Totó ou qualquer nome canino que atendia. O primeiro dia do ano deveria ser conhecido como Dia da Ressaca Universal, não como a data da Confraternização Universal. Quando eu dizia, na supervisão do meu antigo colégio, que o sistema era errôneo...
A Dona da casa (ou cativeiro) vestia seu melhor vestido estampado de flores fluorescentes, acompanhado de rolinhos na cabeça à la Dona Florinda. Reclamava com o marido das contas que deviam vir a pagar, dos impostos. Ele, replicando com o jornal nas mãos, dizia não haver problema pois a CPMF morreu junto com o espírito natalino, mas este foi morto pelo Ghostbusters e aquele, pela esperança de menos prejuízos bancarios (será?! o IOF já aumentou...). O primo do interior que viera para passar as férias perambulando nos shoppings e afins estava deitado no sofá, na frente da tevê. É a típica preguiça pré-ano letivo, que chega dar um cansaço só de pensar em tudo que meus olhos virão e em tudo que vou esquecer. Na TV ligada, em volume relativamente insuportável a sensibilidade do tímpano, já soava a musiquinha carnavalesca global - pergunta: será que os momentos do ano poderiam ser divididos por vinhetas? "Na tela da tevê" - "Ter um amigo, a gente precisa de amigo" - "Hoje a festa é sua"... feliz 2009!! Talvez...
Aqui jaz a mais curiosa e excepcional manifestação jamais vista antes nesse mundinho de 5ª. Não foi em vão. Àqueles que se sacrificaram, deixo minha sincera comoção. E aos colaboradores de tais atrocidades para com seres alados, deixo uma promessa de vingança. Talvez a Fênix não seja apenas uma ave que resplandesce das chamas, talvez ela esteja entre nós, talvez ela já esteve e até foi cozinhada á molho madeira e requentada no Dia da Ressaca Universal. Mas ela renasce, e já foi vista nos céus do Jardim do Éden. Se eu fosse o Roberto Marinho reforçava a segurança anti-chamas da Globo, porque espisódios como o pseudo-incêndio do Planeta Xuxa podem se repitir. Querem saber quais foram as últimas palavras evocadas pela Fênix? "A gente vai se ver na Globo. Lá vou eu!"...

domingo, 30 de dezembro de 2007

Enfim o fim...




Sobrevivi. Sobrevivi ao natal, à comida e bebida fartas, às músicas natalinas, ao shopping cheio. Sobrevivi a 2007. O ano acabou. Nessas horas as pessoas começam a pensar no que fizeram durante o ano(coisas que elas deveriam fazer sempre). Época dos famosos balanços e resoluções de ano novo. Já disse que prefiro reveillon à natal. Não sou supersticioso. Não pulo ondas no mar nem como lentilhas. Também não acredito que vestir branco vá trazer paz ou vermelho traga amor. Começo entrar em contagem regressiva para o fim de ano desde meados de junho. Quem convive comigo sabe que começo a dizer que se findou o ano muito antes de dezembro chegar. Gosto do reveillon pela experiência coletiva vivida durante a noite do dia 31. É praticamente impossível ser indiferente nessa noite. Corações se enchem de esperança. Pessoas especiais são lembradas. Momentos são recordados e a saudade ou arrependimento tomam conta da gente. Os fogos explodem no céu e dentro de nós emoções explodem junto com essa reflexão sazonal. O único costume que tenho na noite da virada é o de olhar o céu minutos antes do novo ano chegar. Não importa se onde estou haverá queima de fogos ou o céu esteja nublado. Olho para as estrelas. Na tentativa de prever o que está por vir. Olhar para as estrelas é olhar o passado, pois como se sabe, muitas delas podem até nem existir mais, mas ainda brilham. Gosto de inverter o pensamento nessa hora. É possível que alguém esteja olhando para o céu num lugar bem distante de nós. E também se perguntar se aquele brilho vem de uma estrela que ainda está viva ou não. Mas tento prever é se alguma estrela vai surgir no céu (afinal estrelas também nascem). Será que ao nascer serei capaz de notá-la? Após a meia-noite, olho o relógio e vejo: 00:00. A data diz: 01/01. Penso "tudo começou". Não importa como vai acabar, importa é começar. Afinal muitas de nossas ações nós não veremos os resultados. Assim como muitas estrelas nós nunca notamos. Irônico é fazermos uma contagem regressiva para algo que vai começar, pois deveríamos estar progredindo e não regredindo. O meu relógio não anda para trás!!! Contagem regressiva: 4,3,2,1. Feliz Ano Novo! Agora é hora de fazer a estrela brilhar e realizar sonhos. E que esses sejam incontáveis, assim como as estrelas. Tenham um bom 2008...

domingo, 23 de dezembro de 2007

A Revolta dos Chesters - Parte I


Cócóro cócó! Mais um dia é anunciado por uma bola amarela que surge no horizonte do sítio do velho Mário. Um cheirinho de café fresco exalava no ar se misturando com o da Dama da Noite. O inesperado se fez presente, e, no horário reservado pra refeição matinal aviária, Seu Mário leva um susto. "Óh não! Cadê us frangu?". Segundo o caseiro, na madrugada antecedente a catastrofe, viu um carro suspeito com placa da cidade mais próxima passar pela estrada de terra que cortava o sítio. O detetive Eurípedes Lopes tomou a frente do caso e foi buscar informações no tal lugar que denunciava a placa do automóvel.
Na cidade grande, o dia também começara. A grande estrela solar brilhava em meio a nuvens baixas e prédios altíssimos que cortavam a selva de pedras. Ninguém obtera a vista solar, mas com o céu mais negro que fosse, a gente sabe que o sol continua a iluminar em algum lugar. E, com certeza, esse lugar não era o supermercado. Eurípedes esperava encontrar lá alguma pista, pois era natal e não há época mais propícia para se comprar aves do que esta. Cinquenta e quatro passos desde a entrada até a sessão de congelados e um equívoco esbarra em seus planos: "Cadê as aves?".
O caos estava instalado. Como existirá natal sem chester? Ceia sem chester? Ano novo sem chester? A economia do país estava prestes a um colapso, quem sabe até ao neo crack da bolsa! Todos os frangos e derivados saíram ás ruas, carregavam faixas escritas: "Agora, se virem sem nós. Queremos que escutem nossa voz!". O barulho era ensurdecedor. A Polícia Militar estima a presença de quase meio milhão de aves. Mas, se você considerar a quantidade de uma ave para cada cinco brasileiros, em média, chegaremos ao inacreditável número de 36 milhões de frangos, chesters e perus. O líder do sindicato das Aves Livres pra Voar (ALV) justificou a falta dos demais membros por justa causa, até porque os dito cujos deveriam estar cumprindo um destino qualquer traçado por uma dona de casa. A repórter do Jornal Três Pontos fez a seguinte entrevista:
"Quais são as causas defendidas pelo AVL?
Nós estamos nessa luta há décadas. Todo fim de ano é a mesma história, nos congelam em freezer a -3º e, o companheiro que não for recrutado para um lar (ou sabe-se lá o que), será obrigado a virar água esperando ser comprado por um preço muito mais abaixo do valor real no mês de janeiro.
Então vocês não se preocupam com a morte de entes queridos, e sim com o valor que vocês tem perante o comércio. Certo?
Claro, minha filha. Morrer todos nós vamos, mas enquanto vivermos pelo menos que seja por valor real, conveniente e justo, não é verdade?"
A manifestação ainda está por toda parte. O Governo ainda estuda propostas para um acordo pacífico, pois da última vez que a espécie aviária se rebelou, desenvolveram uma gripe mortal aos humanos. Por enquanto, se você comprar uma ave de fim de ano estará financiando a circulação do mercado negro aviário, então, não faça isso caro leitor. Do contrário, você NÃO terá um feliz natal. Muito menos um feliz ano novo...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Música e transitoriedade...


O novo cd do "Rei" Roberto Carlos não vai sair neste fim de ano! Não sou fã do "Rei", mas assim como ele, sempre termino de gravar um cd no final de ano. Após terminar o "Guiga Mix 2007" fiquei pensando em como as músicas contribuem para a formação de nossa identidade e a capacidade delas de nos fazerem lembrar de épocas e pessoas em nossas vidas. Pense em como o seu gosto musical mudou ao longo dos anos. Passam-se os anos e algumas músicas tomam significados diferentes para nós, outras perdem valor. Nos "alimentamos" de algumas músicas por algum tempo, mas depois nos "saciamos"delas. Dias atrás tive a oportunidade de assistir um antigo show do Los Hermanos, da época do lançamento do "Bloco do Eu Sozinho". Fiquei pensando em como eles mudaram fisica e musicalmente (na época o Amarante nem tinha barba). Alguns críticos e público não gostam quando algum grupo muda o seu estilo musical. Acredito que desejar que grupos musicais continuem tocando sempre da mesma forma equivale a desejar que as pessoas continuem sendo as mesmas. Não devemos esquecer também que existem poucas músicas, assim como poucas pessoas, que sempre possuirão um siginificado para você. Essas pessoas/músicas nos ajudam a encontrarmos a nossa "essência", o que nos define. Entender a transitoriedade das coisas nos ajuda a entender o mundo. Não se engane com a volta das Spice Girls, BSB e Led Zepellin. Essas bandas vão deixar de existir assim como o Los Hermanos e um dia (acreditem se quiser) os Rolling Stones. Pessoas especiais, inclusive nós, deixarão de existir também. Um dia não exisitirá nem o "Eu" nem o "Bloco". Mas nossas músicas ainda continuarão tocando por aí...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Coisas estranhas II...


Gatos que brilham no escuro!!!!...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Relato sobre coisas estranhas...



A terra tremeu!! Estava durante esse tempo pensando sobre o que iria postar e eis que surge a notícia da primeira vítima de um terremoto no Brasil, em Itacarambi - MG(190 km de Montes Claros). Estranho falar de terremoto no Brasil. Hoje estou sem inspiração para fazer metáforas sobre a vida e etcs. Mas diante do fato extraordinário, senti necessidade de relatar sobre algumas coisas estranhas (talvez a melhor palavra seria improváveis). Enfim, como Carlos Heitor Cony disse em crônica publicada na Folha de S. Paulo de hoje "(...)em Minas, onde sempre acontecem coisas".Não sei se são as serras, a altitude, o clima, mas é fato que coisas estranhas acontecem, principalmente em Minas Gerais. Além de chupa-cabras e ET de Varginha vou contar sobre coisas que vivi ou que estão mais relacionadas à minha trajetória. Em Montes Claros (foto acima), cidade onde vivi por muitos anos, aconteceram fatos curiosos. Recentemente, uma mulher levou 6 tiros na cabeça e não morreu. Houve também uma "tentativa de invenção" de uma nota de 3 reais (acho isso é tão estranho quanto rídiculo)que foi descoberta quando o grande inventor tentou comprar algo com a sua "obra de arte". Descobri agora pouco que, em 2001, durante um vôo da TAM, nos céus de M. Claros, uma janela da aeronave quebrou e uma passageira foi sugada para fora. Com certeza devem existir outros fatos bizarros ocorridos na capital do pequi. Sei de alguns outros, mas desconfio de suas veracidades. O que me fez lembrar dessas ocorrências foi que tremores não são novidades para quem já viveu por lá.Acredito que devia ser por volta do verão de 1997, estávamos jogando futebol, eu, meu irmão e um amigo nosso quando a terra tremeu!! Ainda lembro de chegar na escola durante o outro dia e ouvir meus coleguinhas dizendo "você viu o terremoto ontem?". Talvez seja o excesso de calcário na água distribuída em Montes Claros a causa para esses fatos? Não sei. Acho que a vida muitas vezes é estranha, independente do lugar onde você viva. Coisas estranhas acontecem. Estranho é você se acostumar a elas e achar que a vida e todos os seres humanos são normais...
P.S.: Daqui a alguns dias voltarei à Montes Claros. Se mais coisas estranhas continuarem acontecendo, voltarei a escrever sobre elas....

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Vapt Vupt!




O ano acabou! - Tá, ainda não acabou, mas é que todo mundo vêm falando isso desde outubro. Talvez "Vapt Vupt" não seja a melhor onomatopéia para expressar rapidez, já que si própria tranca nossa língua e desacelera nossa dicção. Talvez eu devesse ter usado o "inhéééééu!" dos carros de F1.

De que eu falava mesmo? Ah é! Pois bem. A vinheta globística de fim de ano está no ar e, segundo Sr. Alguém, quando esta começa a entrar em nossa casa em meados de dezembro, considere falecido o ano em que está vivendo. É nessa época que os piscas-piscas (ou pisca-piscas, escolha o menos feio, ambos estão certos) das praças são roubados, crianças catarrentas escutam mentirinhas natalinas de um 'bom' velhinho e, nesse clima também, é que a Ponte do Rio Que Cai fica iluminada por luzinhas de neôn em formato de panetone. Aparecem umas simpatias pra se ganhar dinheiro, arranjar um bom casamento, perder 8Kg, restituir as calotas polares e o Parque Nacional da Pedra Dura - Aquele que ficou sendo invadido por água mole durante anos e anos.

A questão é: Por que esperar o dia 31 de dezembro para fazer planos? O último dia do mês nada mais é do que aquele em que acontece a São Silvestre, durante as mesmas 24 horas em que o palhaço Arrelia nasceu e que o químico e físico Boyle morreu (o cara dos gases). Salvo estes fatos, é um dia como outro qualquer. É nesta data que se faz a única contagem regressiva para um momento que não é o final. Você não precisa estar vestido de branco e muito menos saber contar até 0. Todo dia é dia, então por que esperar se podemos começar tudo de novo agora mesmo? A vida é uma festa e ela tá cheia de penetras. Mas hoje, hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, de quem vier...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Pensamentos sobre a vida e a arte...


"A arte é a contemplação: é prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam."
Auguste Rodin

Manhã de primavera. Na rua, as pessoas andam, os carros fazem barulho. Meu celular me desperta. Abro os olhos, e não penso "mais um dia para se viver". As horas se esvaem ao decorrer do dia. Eis que surge em minha cabeça uma pergunta outrora indagada: A vida imita a arte ou a arte imita a vida? É fato que os filmes que assisti, as músicas que ouvi, os livros que li, me influenciaram e ainda me influenciam. Mas os roteiristas, músicos e escritores também não foram influenciados? Mosaico. Como pode pequenas peças como cacos de vidro formarem algo tão belo? Um caco de vidro sozinho não apresenta beleza nem grande significado. Entretanto, quando organizados sob a perspectiva de um artista, aquilo se torna arte. As cores para o pintor, as notas musicais para o músico, as palavras para o escritor. Todos são cacos e mosaicos. Acho que a melhor resposta para a pergunta inicial seria: Não existe arte imitando vida ou vice-versa, pois a vida em si é uma arte! Cabe a nós sermos artistas e escolher as cores que iremos pintar nesse quadro chamado vida. Infelizmente, a maioria das pessoas não escolhe as cores que vão usar e simplesmente despejam as cores aleatoriamente sobre o quadro. Já dizia Oscar Wilde: "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe." Pessoas são como os cacos do mosaico. Portanto, seja um artista e viva! Construa um belo mosaico...

domingo, 25 de novembro de 2007

Só um momento...


"This is the moment that you know...", já dizia uma música que frequentemente ecoa em meus ouvidos. 90 segundos. Esse é o tempo que dura um momento de acordo com um antigo manual de unidades de medidas inglês. Eu poderia definir um momento como sendo um instante inesquecível, onde a emoção predomina. Todas as forças e pensamentos existentes parecem convergir para aquele instante. Durante o momento, o tempo aparentemente pára, mas depois ele compensa essa parada fazendo as coisas acontecerem apressadamente. Durante minha curta trajetória sobre esse chão tive alguns momentos, tristes e felizes. Todos importantes. Dia desses a ciência descobriu o óbvio, o nosso cérebro "guarda" com mais facilidade as mémorias relacionadas com altos níveis de emoção. Sendo assim, os cientistas concordaram com todos os poetas de bar e os nobres vagabundos da lapa que já diziam "momentos são inesquecíveis". Momentos sempre possuem um significado e nos ajudam a moldar quem seremos no futuro. Tudo muda num momento, inclusive você! Vale lembrar sobre o que digo e já me disseram inúmeras vezes: durante o momento, é difícil ter o controle da situação, as coisas simplesmente fluem. Esse é um dos motivos para concordarem com aqueles qu dizem "nunca diga nunca". Pode-se dizer que admitir a exitência de um momento, pode ser, no fundo, a admissão de que não temos total controle sobre nosso próprio destino. Confesso que essa idéia não me agrada muito, assim como não agradava o Sr. Thomas Anderson (mais conhecido como Neo). Entretanto, se olharmos pela perspectiva de que existiram momentos e que eles nos tornaram uma pessoa melhor do que a que fomos ontem, essa pode ser uma idéia boa. Momentos dão sentido a quem você é, portanto, dão sentido a vida. Quando vocês tentarem responder a fatídica pergunta "qual é o sentido da vida?", com certeza vocês se lembrarão de momentos para tentar encontrar uma resposta. Às vezes me sinto angustiado querendo saber se não estou perdendo nenhum momento em minha vida. Sinto como se as forças estivessem começando a convergir para um momento. Vou consultar minha agenda para tentar prever esse instante. Só um momento, é isso que espero do futuro. Ele pode acontecer a qualquer instante. Só um momento, vou parar de escrever agora porque está chegando o momento...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Quem tem medo do Lobo Mau?

Se ouço um barulho estranho, me encasulo no cobertor e fecho meus olhos com tal força capaz de me fazer ouvir a pressão em minha órbita ocular. Tem gente que quando apaga a luz sai correndo, numa espécie de maratona; ‘um-do-lá-si vamos e... já!’. Thomas Hobbes dizia que o homem é o lobo do homem, e como é que fugimos de nós mesmos? Fugir sim, pois suponho que ser dominado e devorado por um Canis lupus não seja seu pedido ao Aladim.
O medo é uma descarga de adrenalina proveniente de uma situação nova ou inesperada. Ainda segundo Hobbes, "a origem de todo conhecimento é a sensação". Se no meio de sua aula mais modorrenta você, por acaso, temer que o ventilador de teto se espatife e decepe todos seus coleguinhas, não se reprima e não criemos pânico! Curta seu momento de adrenalina à flor da pele, que te dá conhecimento e aumenta seu QI.
Tenho algo a dizer para as bonecas de olhar grande e sinistro que parecem ganhar vida ao anoitecer: ‘Vocês não vão nos pegar, suas bonequinhas made in Taiwan de meia tigela. Seus olhares demoníacos e suas bochechas rosadas num tom carro da Penélope Charmosa não nos assustam e muito menos nos fazem acreditar em suas ressurreições. Fale com o mestre boneco Fofão – que, reza a lenda, leva uma faca alojada em seu corpo espumado – que seus dias estão se acabando. E o mesmo vale para os agradáveis palhacinhos sorridentes e felizes, vocês não nos enganam!! Tenho dito.’. Leitor, sabe o que resta a nós, meros imortais até que nos provem o contrário? Vamos passear pela floresta enquanto Seu Lobo não vem...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Som do silêncio...



Posso dizer que o barulho está presente em minha vida desde o meu nascimento. Nasci no Méier, segundo O Globo, o bairro mais barulhento do Rio. Quando fui para Minas, não encontrei o silêncio, morei do lado de uma serraria. Já morei também perto da linha férrea e me acostumei com o imenso barulho que uma locomotiva faz. Hoje, vivo no mesmo bairro barulhento onde nasci. Talvez seja por isso que valorizo o silêncio. Em tempos onde uma pessoa calada é geralmente vista como tímida e com pouca iniciativa, o silêncio está sendo desvalorizado cada vez mais. Depois que Steve Jobs popularizou o mp3 player então ninguém quer mais o silêncio em suas vidas. Alguns argumentariam: Como valorizar o silêncio sendo a música e a fala coisas tão magníficas e exclusivas do ser humano?Para esses respondo com outra pergunta: Não seria a fala e a música nada mais do que uma sequência de silêncios? Existem vários tipos de silêncio, podendo significar indiferença, cumplicidade, tristeza e felicidade também! Queria dar um nome para aquele silêncio constrangedor quando iniciamos uma conversa com alguém e de repente o assunto acaba, mas ainda não encontrei um nome adequado. Vale lembrar que a audição é o primeiro sentido que nos coloca em contato com o mundo exterior. As gestantes devem ter cuidado com o que dizem para seu bebê e com o que ouvem também. Concordo com o Sr. Alguém quando diz que "o silêncio é a morada da razão", o que não implica ausência de emoção. Deve ser por isso que nesse mundo moderno a razão está ausente muitas vezes. Existem situações que o silêncio é mais forte do que qualquer palavra. Diante disso, ouça o silêncio, talvez assim seja mais fácil entender o mundo e as pessoas...

Angústia natalina...


Dia desses estava andando no shopping e eis que ela está lá.Quando chego na portaria do prédio, ela também está lá. Ela é a decoração de natal! Sempre quando as decorações de natal começam a surgir me sinto angustiado. Começo a pensar no ano que está acabando e se realmente soube aproveitá-lo. Não gosto muito do natal. Na minha infância, ajudava a minha mãe enfeitar a árvore e ficava ansioso para chegar o dia e poder ganhar presentes. O espírito natalino existia para mim. Hoje em dia, me pergunto por onde ele anda. No natal, geralmente passo com minha família como de costume e em respeito à eles. Meus motivos para não gostar da data festiva é o fato de acreditar que se trata de uma época em que as pessoas se vêem quase que obrigadas a desejarem coisas felizes para todos. Acho uma data em que reina a superficialidade dos sentimentos sem profundidade e muitas vezes falsos e pela perda do significado original da data(acreditando nele ou não). O ano novo é melhor, pois na virada do ano, todas as pessoas pensam algo a respeito do futuro que se aproxima. É praticamente impossível ser indiferente e falso com suas próprias expectativas durante o reveillon. Acreditei em papai noel até meus 4 anos. Acho que depois disso meu espírito natalino foi se apagando. Hoje o natal para mim é mais angústia do que comemoração (detalhe:no dia 25 essa angústia já passou, sinto angústia é agora quando começam a surgir as decorações natalinas). Talvez eu volte a gostar do natal se o bom velhinho surgir novamente. Numa época em que bananas invadem a praia e pedem a um senhor de 77 anos a identidade para poder comprar cerveja, é bem capaz que o espírito natalino retorne junto com seu mais famoso personagem. Talvez ele já até esteja por ai, só tomando uma cerveja esperando pelo dia 25 de dezembro...

domingo, 4 de novembro de 2007

Achados e perdidos...


Uma borracha, um brinco, um chip de celular. Já perdi algumas coisas durante minha trajetória errante. Porém, acredito naqueles que dizem "quem procura acha". Queria saber para onde vão as borrachas que nunca terminei, as tampas de caneta bic e os milhares de guarda-chuvas perdidos diariamente. Lembro que certa vez, há muito tempo aqui no Rio, estava passando férias e eis que me encontrava num ônibus. O que me chamou a atenção foi um velhinho, sentado na primeira cadeira. Ele simplesmente esqueceu a bengala com que se apoiava para andar! Esquecer! Dia desses me perguntava se alguém é capaz de esquecer voluntariamente uma lembrança. Um hermano disse certa vez que "o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer". Verdade ou não, valorizo as minhas memórias, pois são elas que me lembram quem sou e quem não sou. Memórias, assim como fotografias, são tentativas de se eternizar um momento. O que você fez/pensou se eterniza quer você se lembre quer não. O fato concreto, ocorreu, e você ser incapaz de lembrá-lo não quer dizer que ele não tenha ocorrido. Aquele que não consegue se lembrar quem é, muito provavelmente, precisará de muletas para percorrer a longa estrada da vida. Memórias são como estrelas, elas podem até já terem se apagado, mas sua luz continuará percorrendo o universo para todo sempre, tornando o seu brilho eterno! Muitas vezes, o que alguém perde é achado por outra pessoa. Assim é a vida, uma eterna busca em que desejamos encontrar quem somos. Infelizmente nessa busca, às vezes, perdemos, mas outras vezes também achamos, coisas, pessoas, vida...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Pela longa estrada da vida...



... Eu subo no ônibus de volta do colégio. Ao passar na roleta, meu chaveiro de bola 7 nada leve vai de encontro à catraca. O ‘motô’ pensa que o trocador bateu moeda pro busão parar, dá uma freada e geral vai ai delírio: "- Motorista fdp!". A essa altura a forofa pro churrasco entre família, da dona que carregava 58 bolsas de supermercado, já tinha virado farinha. O office boy, com sua pastinha de contas a pagar, olhava pra mim. Tadinho dele, que teria de enfrentar fila de banco numa segunda-feira.
Filas. Coisas momentâneas acontecem nelas. Um olhar, um passo, um toque. "- Ei, desocupou aquele caixa ali!". Seu dinheiro voa, mas você não pode sair dali. "- Vai perder seu lugar...". Se correr a fila anda e se ficar o dinheiro falta. "- Próximo!".
Pois bem, isso não vem ao caso. Sempre tem um ponto de ônibus onde a maioria dos passageiros desce. Não, não é o meu. Mas lá é onde vendem um hot-dog com uvas-passas – até hoje não entendo o prazer dessa mistura. Do lado dessa lanchonete mora um anão albino, aliás, morava. Faleceu há dois dias atrás e não houve velório porque anões viram duendes. E o que a foto de uma vaca tem haver com isso? A vaca não pega ônibus...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Chove chuva...



Está chovendo hoje, choveu ontem e, segundo o climatempo, choverá amanhã. Como disse em texto anterior, a minha relação com a chuva é uma complicada relação de amor e ódio. Odeio a chuva quando ela impede o meu ir e vir cotidiano ou quando ela cancela eventos dos quais eu gostaria de estar presente. Mas, hoje, falarei mais bem do que mal sobre a precipitação pluvial. Toda vez que chove, resgato alguma antiga memória. O "cheiro" da chuva (alguns a chamam de cheiro de terra molhada" me evoca recordações antes esquecidas. A memória olfativa é poderosa! Muitas vezes encaro a chuva como um desafio. Quer testar a capacidade de abstração de alguém ou saber se algo é importante para você, aconselho a fazer isso em dia chuvoso. Quem está disposto a se molhar durante uma chuva, geralmente, demostra ou obstinação ou abstração. Creio eu, que vocês já perceberam que em séries, novelas e filmes as cenas de enterro e de grande paixão são, frequentemente, realizadas sob chuva. Naquele momento, ou nada importa para você ou existe algo relamente importante que faz a chuva se tornar insignificante. Dentre as várias "coisas simples da vida", existe uma que eu particularmente gosto: dividir o guarda-chuva com alguém. Acho que é um ato singelo mas ao mesmo tempo forte. Compartilhar para se proteger. Talvez se alguns relacionamentos tivessem divido um guarda-chuva eles teriam tido sucesso. Acredito também que se a humanidade aprendesse a compartilhar estaríamos mais bem protegidos (de nós mesmos). Olho pela janela, a chuva ainda cai. Daqui a pouco vou sair. Alguém quer dividir um guarda-chuva?...

sábado, 20 de outubro de 2007

AU AU etcétera

A gente se esquece das coisas. Escapa de nossas lembranças aquele instante em que aglomeramos com o óvulo, quando nos dividimos em pelotas celulares e tínhamos o poder de respirar de baixo d’água. Nos esquecemos também do rosto do cara que deu um tapa em nosso bumbum para chorarmos e enfim mostrarmos que sim, que estamos vivos. Mas será que um dia a gente lembrou disso tudo pra poder esquecer?
O que veio antes de mim e você é o desconhecido, ponto. Suspeitei desde o princípio ter a certeza da incerteza e a consciência da inconsciência de sermos meros cemitérios de lembranças ambulantes. Não me recordo se Hebert Viana, Marcos Mena e Zagallo morreram, mas será que eles descobriram qual o segredo da vida? Aliás, quem é esse desocupado que diz a vida ter um segredo?!
Após anos e anos de intensa e profunda prática de meditação, chego á conclusão de que os latidos na calada da noite são, na verdade, uma tentativa de nossos amigos cães nos revelarem o dito cujo. Tentativas inúteis, creio eu. Suspeito que o ‘segredo da vida’ é nos matermos vivos – o que não deixa de ser um mistério. Como provar que se está vivo é que é o problema, e se na hora a gente se esquecer de repirar ou o outro não enchegar que temos um coração? Foi isso que aconteceu em um domingo sangrento, numa Babi Yar da vida ou em duas cidadezinhas japonesas perdidas no mapa. Talvez, se irlandeses, judeus, japoneses e civis em geral tivessem chorado, como todos fazem depois do clássico tapinha medicinal no início, teriam sido poupados.
Mas espere aí, eles choraram sim...

domingo, 14 de outubro de 2007

Haja luz...


"Haja luz; e houve luz". Dizem alguns que, no princípio, assim disse o "criador". Disse também que a luz era boa e assim separou a luz das trevas. Utilizar a dicotomia luz/trevas como metáfora é tão antigo quanto a existência do próprio mundo. Gosto da noite! Durante o dia, a luz solar nos obriga a enxergar tudo ao nosso redor (a não ser que se feche os olhos); porém, à noite é diferente. Após o crepúsculo, enxergamos só aquilo que desejamos ver. A iluminação, isto é, o uso da luz para determinado fim, permite o exercício desse arbítrio. A noite é muito mais humana que o dia (leia-se humano como avesso a natureza). O ser humano foi capaz de contrariar a natureza, que diz que a noite é para descansar e inventou coisas interessantes para se fazer no escuro. Durante o dia somos obrigados a trabalhar assim como as plantas são obrigadas a fazer a fotossíntese produzindo o seu próprio alimento. Para mim o dia sempre foi um coadjuvante, um preparativo para a noite. Se "Deus"criou o dia, o homem inventou a vida noturna e viu que era muito boa. Deve ser por isso que nos sentimos livres para fazer coisas que nunca faríamos durante o dia. O horário de verão começou e o verão se aproxima. Haja luz durante esses dias! Mas lembre-se, quando assistir um pôr-do-sol, aprecie a beleza daquele momento. Não o encare como o fim de mais um dia, mas sim, o início da noite, onde estamos condenados à liberdade e pdemos ser, quem somos ou quem não somos, isto é, sermos humanos! Não importa o horário que você esteja lendo esse texto, boa noite para você...

domingo, 7 de outubro de 2007

Carta aos meus filhos,

Vivi à espera da cura do câncer, dos extra-terrestres e do apocalipse.
As sociedades, que antes eram formadas por clero, nobres e servos, na minha época era constituída por: servos, servos e servos. Passava mais da metade de meus dias, durante 30 anos, para chegar ao fim do mês, receber uns papéis valorosos com poder de sublimação e alcançar a longevidade - e nem ao menos ser respeitada por meus grisalhos cabelos.
Os preços iam além da inflação. Deixamos de ser nômades há tempos. Se faltava a comida não era preciso mudar de lugar, podíamos matar vaquinhas á vontade, transformar frangotes em verdadeiros chesters tamanho GG e clonar ovelhas.
Tudo era instantâneo. Informações instantâneas, mensagens instantâneas, sentimentos instantâneos, até o macarrão era instantâneo!
Assim era o mundo em que vivi. Um mundo de importantes insignificâncias, onde o último é sempre o último e o miojo nunca fica pronto em 3 minutos...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Previsão do tempo...


Estava esperando a inspiração para escrever aqui, mas ela não veio. Durante a espera ouço a previsão do tempo para amanhã: "sol com algumas nuvens, não chove". Essa previsão me fez escrever sobre algo que penso frequentemente: a influência do clima sobre as pessoas. O clima sempre foi uma obsessão minha. Adoro o sol, gosto da chuva (de vez em quando a gente se desentende), num próximo post falarei sobre ela. Mas a influência climática pode ser observada nos mais variados momentos, seja na alteração de humor de uma pessoa por causa do clima ou até o desenvolvimento sócio-econômico dos países. Se observarmos, os países com maiores IDH são os mais afastados do Equador, ou seja, países em sua maioria com clima temperado. Exemplos, no hemisfério norte, onde o norte tende a ser mais desenvolvido:nas 13 colônias da américa do norte, na Itália, na Europa Ocidental onde a Escandinávia se destaca pela qualidade de vida, etc.. No hemisfério sul, onde o sul tende a ser mais desenvolvido: o sul da América do Sul, o próprio Brasil, onde o desenvolvimento econômico se deu, principalmente, na região centro-sul, etc... Na música, a influência é notável. Alguém acredita que bandas como coldplay, radiohead entre outras, poderiam surgir num verão 40 graus do Rio de Janeiro?Ou o chiclete com banana fazendo carnaval em Londres? O fato dos ingleses cantarem musicas melancólicas é até compreensível, afinal, deve ser difícil estar alegre frequentemente num lugar onde só faz sol durante cerca de 58 dias no ano! Alguém explica o fato das maiores taxas de suicídio serem a dos países com as menores médias térmicas no mundo? Para mim, o clima é uma das maiores demonstrações de que o homem não pode controlar tudo. Se existe uma entidade superior (pode chamar de Deus se quiser) ela pode ser muito bem observada através do clima, por se tratar de uma das mais notáveis manifestações da natureza. Tem uma música que tem uma metáfora muito boa: " Can you catch the wind? See a breeze? Its presence is revealed by the leaves on a tree.." Enfim, quando anunciarem a previsão do tempo, preste atenção!!Talvez ela seja mais importante do que você pensa. Será que vai chover?...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007


"Espelho, espelho meu! Existe alguém mais... mais... mais o que mesmo? Quê que eu tô fazendo aqui?! Hahahaha. Cara, que engraçado!" - Hum, espero que tenha ficado claro que esta é a fala de um boêmio no banheiro de um bar, conversando com o espelho (?!). Eu sempre quis ir pra dentro do espelho, mas...espere! Eu sou o 'dentro do espelho'. Eu hein... povo doido.
Quando de frente ao espelho, nos deparamos com aquilo que somos para os outros. E rimos, porque, particularmente, não me acho parecida comigo mesmo. Nessa hora que começam as caretas, são como um auto-teste de personalidade ou um 'siga o mestre versão você'. Chegamos mais perto do reflexo e levamos um susto, tudo que está próximo demais é feio, assim como os Monet. Janelas de carros, portas de edifícios ou paredes de concreto brilhante também puxam meu all star encardido de volta à realidade calorosa e barulhenta do rodo cotidiando.
Espelhos são trouxas, refletem tudo que vêem pela fresnte. Espelhos são fatais, podem cortar. Espelhos são sinceros, mostram a verdade. Mas espelhos podem mentir, o que você vê já é passado. O que você sempre vê, sempre vai estar diferente. Seja apenas pela posição da luz ou do tempo. Espelhos são traiçoeiros, um descuido seu e 7 anos de azar...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Sobre flores e saudades...


“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.” Cecília Meireles

Domingo, 23 de setembro, às 6:51 começou a primavera. Conhecida como estação das flores, particulamente, gosto muito dessa estação do ano. Nela se tem frio, calor, sol e chuva, é difícil descrever um típico dia primaveril. Consenso é que nessa estação as flores estão por toda a parte. Tenho saudades de algumas primaveras. Saudade! Dia desses estava me perguntando se seria ela um sentimento bom ou ruim. Não gosto da saudade por se tratar de uma não-realização, de um desejo não satisfeito. Entretanto, concordo com o Sr. Alguém quando diz que "saudade é a certeza de que não se viveu em vão". Tenho saudades do que vivi e não vivi, sei que terei saudades de coisas e pessoas que estão presentes em minha vida hoje. Já dizia minha mãe:"Aproveita enquanto tem". Nessa primavera e em todas as estações da sua vida, aproveite! Cada momento é como uma flor, não tem hora nem data para desabrochar. Uma flor pode surgir sob as mais variadas circunstâncias, assim como a vida nos oferece momentos nunca antes imaginados. Cada flor e cada momentos são únicos. Aproveite e valorize as coisas e pessoas que um dia poderão te fazer falta. Carpe diem! Infelizmente, assim como as flores murcham e a primavera se esvai, todos os seus momentos, um dia, serão somente saudades...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

g= GxM/d²



Um inseto vive em média 18 dias, a borboleta mesmo pode chegar a um dia de vida. Podemos dizer que ela teve boas 24 horas, voando por aí pousando de flor em flor, disputando espaço com aquele bichinho que pára no ar , o beija-flor – aquele que trouxe meu amor, voôu e foi embora.
O que permite o inseto quebrar a mirabolante barreira da gravidade é seu tamanho reduzido, combinado com a quantidade de músculos que eles possuem. Isso também explica o fato deles poderem carregar pesos mais de 20 vezes maiores que o seu prórpio. Quiçá pudera eu levantar 1.000 Kg e logo na primeira curva de minha longa estrada da vida chegar um infeliz ser ‘humano’ e me queimar com a lupa. Aff! Eles aprenderiam o que é vingança depois que uma bomba nuclear explodisse o planeta Água e apenas nós - os insetos - sobrevivessemos.
Chego á conclusão de que um dos primeiros passos para voarmos seria diminuir o tamanho - depois de alto teor de manteiga no organismo. Talvez isso tenha ajudado o Chapolin a viajar pelo espaço em aviãozinho de papel, mas a medicina contemporânea ainda não descobriu a fórmula das fantásticas pastilhas sbtísticas. Uma solução seria diminuir a quantidade de horas de sono, pois é quando se dorme que crescemos, tanto de estatura corporal quanto capilar, e também armazenamos na memória de longo prazo o que vemos ao longo do dia. Durma menos, esqueça mais, e saia por aí voando!
Outra diferença entre o homem e o inseto é que este não possui nariz, e sim espiráculos. Tá esperando o quê? Você é um homem ou um inseto!? Vamos! Corra ! Tampe o nariz e seja feliz! Talvez você tenha menos que 24 horas pra ganhar a disputa contra o beija-flor por um lugar ao sol...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Viagens...


"Atenção senhores passageiros com destino à..." Domingo, céu azul, ideal para ir à praia. Entretanto, me encontro na Rodoviária Novo Rio. Pessoas, carros, ônibus, todos com pressa. No meio daquele frenesi, uma imagem me chama a atenção: garota com buquê de rosas. Aquela cena me fez lembrar das emoções e sentimentos que muitas vezes são passageiros de nossas viagens. Antes de embarcar nessa viagem, aviso p/ os viajantes céticos que acham que tudo o que virá a seguir é uma viagem desse que vos fala: a Terra, as estrelas e as galáxias, todas elas, estão se movendo a milhares de quilômetros por hora, na imensidão do Universo. Portanto, é inevitável, estamos todos condenados a sermos passageiros. Segundo o Sr. Alguém, viajar nada mais é do que: "deslocamento de uma origem em direção a um destino". Ao viajar, pensamos no que estamos deixando pra trás, no que estamos levando conosco e no que iremos encontrar. Saudades, incertezas e certezas, ansiedade, demonstrações de afeto. Rodoviárias e aeroportos são lugares em que a maioria das pessoas esquecem a mediocridade emocional da rotina da vida moderna e se descobrem mais humanas. Lágrimas, abraços, beijos e sorrisos sempre estão presentes nesses lugares. Pensar também é viajar. O pensamento é o momento em que estamos deixando o que éramos (origem) em direção ao que queremos ser/compreender (destino), assim como a vida é uma viagem que tem o passado como origem e o futuro como destino. Uma das definições para paixão, segundo o Sr. Alguém, é: "pensamento obsessivo por alguém/algo". Nessa viagem, partimos do nosso estado "normal" em busca de qualquer destino onde o ser desejado esteja. É essa busca incessante que nos torna tão "improdutivos" quando apaixonados. Será o "amor" a descoberta, entre dois viajantes, de que os seus destinos são os mesmos? Sim ou não, a vida é uma incrível jornada! Aperte os cintos e boa viagem...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Mulheres...












Sai da faculdade e fui beber. Com quem? Comigo mesmo. Chegando ao bar, peço a companheira, ela vem e me da prazer. Pensei, falar sobre o quê? Eis que caio no clichê comum: mulher! Sempre fui obcecado por mulher. Me lembro da primeira vez que esse ser divino me encantou. Tinha 6 anos e seu nome era Ana Carolina Ferreira Guimarães. Sim, lembro do nome inteiro e de muitas coisas também. Entretanto, fiquei obcecado somente no início da adolescência. Nessa época que meu coração bateu mais forte por alguém pela primeira vez (sim, eu tenho coração!). Foram algumas (acho que nem tantas) mulheres que marcaram a minha vida. Queria completar o alfabeto, mas é difícil encontrar uma mulher com "w". Mulher, muitas vezes responsável pela alegria ou tristeza de um homem. Ainda não encontrei maior prazer que dar prazer a uma mulher. Perceber sua respiração se tornando ofegante, seus pêlos se arrepiando, seu fluxo sanguíneo se direcionando a toda uma região que a chega deixar tonta, é uma das melhores sensações do mundo. Ah mulher!!! São muitos os nomes, uns atuais, outros do passado, uns concretizados, outros planejados e alguns não desfrutados. Enfim, um dia continuo esse assunto, porque a cerveja acabou e sigo um conselho do rótulo que também serve para mulheres: Aprecie com moderação! Quando estou saindo, olho ao redor e sinto que não estou só. É como se todas elas estivessem ali. Preocupado, se estou "viajando" demais ou estou bêbado, ergo o copo e brindo às mulheres. Garçom, me vê a conta por favor...

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Felinos voadores com pãezinhos boiantes



Pão sempre cai com a parte da manteiga virada pro chão, fato. Gato sempre cai em pé, fato. Mas e se amarrarmos um pão sob as costas de um felino? Elementar, meu caro. O gato flutua! O poder da manteiga vai além das forças gravitacionais.
"Pipipipi pipipipi!". Saco, tenho mesmo que acordar?! Caminho até a cozinha, tiro o leite da geladeira, separo um pão num prato, ponho Nesquick no laticíneo, pego uma faca, mecho o líquido, corto o pão, bebo o leite, passo manteiga. Meu irmão entra na cozinha, corpos em atrito, esbarrão. Caído o pão. E a manteiga, está virada para onde? Para o chão!
Se o gato flutua com uma mochila panificada, a manteiga é a responsável por tal feito, seria então a manteiga o futuro remédio pro ser humano parar de se rastejar? Óbvio que não! Homens não têm miolos...

sábado, 8 de setembro de 2007

Olhos...


Abra os olhos! Todos nós já ouvimos essa frase alguma vez em nossas vidas. São milhares as músicas que fazem menção ao abrir de olhos ou ao não fechar de olhos . Adoro olhar nos olhos das pessoas e acho a visão um dos sentidos mais fascinantes do ser humano. Entretanto, hoje, vou falar sobre o fechar de olhos. Quando mais novo, ao tomar uma coca-cola durante um dia de calor, percebi que fechava os olhos ao tomar a bebida. Naquele instante, me indaguei sobre o por que de se fazer aquilo. Percebi alguns anos depois que o fechar de olhos está intimamente ligado ao prazer. São vários os momentos na vida em que essa relação pode ser comprovada. Lembre-se de quando você, leitor, em algum momento faminto, encontrou aquele alimento tão desejado. Ao saboreá-lo você fechou os olhos? Ou quando toca aquela música que você adora, na parte que você faz aquele solo incrível na sua guitarra imaginária ou quando simplesmente a canta você fecha os olhos? O que dizer então de quando abraçamos ou beijamos alguém?! Talvez, o fechar de olhos seja simplesmente o desejo do próprio corpo de negar a realidade. Assim, o prazer seria uma irrealidade ( que é bem diferente de imaginação) e por isso tão intenso e indescritível. Lembrem-se que também sonhamos de olhos fechados. Por isso, mantenha os olhos abertos, mas não esqueça também de que, ás vezes, é bom e até necessário fechar os olhos...

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Á minha cara amiga, Grama


A grama. A grama é bonita e verde. Exceto quando tá de manhãzinha e você anda descalço nela, fazendo esqui biológico.
Esse negócio verde aí do lado é bem polêmico. Afinal, quem colocou a plaquinha de "Não pise na grama" pisoteou ou não essas folhinhas verdejantes?
Primeiramente, o correto é: Não pise A grama. Pois o verbo pisar é transitivo direto. Que se dane, aposto uma Coca-Cola que você - assim como eu - não tá nem aí pra gramática da botânica.
Respondendo a pergunta, o cara que instalou a plaquinha poderia ter colocado-a antes dela nascer, ou, até mesmo, por intermédio de um helicoptero ou dando um duplo mortal carpado, quem sabe.
Mas o que me preocupa, é a vida social das plantinhas. Coitadas! Sendo amassadas, pisoteadas e assassinadas dia após dia. Imagine como deve ser a auto-estima de uma grama. E mesmo assim, ainda tem gente que fica se preocupando com que roupa vai usar amanhã. Pelo amor de Deus, com tanta graminha sendo maltrada você me vem falar de moda? Faça me o favor... Afinal, você gostaria que o Gigante do Pé de Feijão simplesmente, de uma hora pra outra, decidisse te espremer com uma bota nº 563?
Pense nisso...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

(...)


Reticências... Sempre usei reticências. Esses três pontos que seguem uma palavra, muitas vezes estão presentes quando as palavras não são ditas. Acho que muitas vezes as reticências se parecem mais com o silêncio. Se fossemos descrever todos os momentos importantes de nossas vidas, com certeza, usaríamos as reticências. Seja quando você recebe aquele olhar da pessoa que ama, ou quando, de repente, descobre que está apaixonado por alguém. Quando escondemos o que sentimos ou não queremos demonstrar os nossos sentimentos, sempre fazemos uso delas. Os relacionamentos amorosos!!! Ah quem diga que nenhum relacionamento tenha futuro sem uma reticências, os partidários dessa teoria argumentam que a cumplicidade e a mais singela troca de carinhos seriam mais bem representadas através delas do que qualquer outra palavra. Esses três pontos significam, diferentemente do seu parente ponto final, que existe algo além do que se escreve, que o significado das palavras não terminam ali. Algumas pessoas são capazes de continuar a trilha iniciada pelos três pontinhos e descobrem um mundo de significados ocultos que existe pairando sobre a realidade superficial. Talvez, nessa mesma trilha, esteja o caminho para algumas obsessões e desejos do ser humano: paz, amor, felicidade...